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Os 5 sites incontornáveis do mundo LEGO

por baixinho, em 09.05.16

Sem dúvida alguma que o desenvolvimento do hobby LEGO está intimamente ligado ao desenvolvimento da própria Internet. As primeiras discussões sobre LEGO conhecidas na Internet rondam o ano de 1994 na antiga Usenet e o aparecimento de sites pessoais, blogs, sites compras e vendas, fóruns de discussão e site de armazenamento de fotografias sobre LEGO foi praticamente sempre ao mesmo tempo que essas novidades apareciam na Internet. Talvez porque muitos dos primeiros AFOLs estavam de alguma forma ligados à informática. Tome-se o exemplo do LUGNet, um site extremamente avançado para a época em que foi desenvolvido.

Durante estes mais de 20 anos de presença do hobby na Internet, foram criados milhares de sites sobre LEGO. Sejam temáticos, LUGs*, enciclopédias, blogs, etc. A escolha é muita e praticamente inesgotável. Dos que arrancaram no inícios desta aventura, houveram alguns que tiveram os seus anos de ouro e depois caíram para terem, neste momento, apenas um movimento residual (como por exemplo o Ldraw, o LUGNet, o Brickshelf e o Peeron) e outros que aguentaram as mudanças na própria Internet e até cresceram (por exemplo o Brickset, Bricklink e FBTB).

Actualmente são cinco os sites que são incontornáveis para qualquer AFOL que se preze. Segue-se uma pequena descrição de cada um deles, ordenados alfabeticamente.

 

Bricklink

Criado como BrickBay pelo falecido Daniel Jesek (podem ler a história do site aqui), foi provavelmente o primeiro site LEGO a permitir às pessoas criarem a sua própria loja virtual de peças e sets. O Bricklink acompanhou o crescimento exponencial da Comunidade AFOL e apesar de ainda possuir um interface algo datado, as evoluções tem sido notórias nos últimos dois anos. Neste momento praticamente todos os AFOLs que conheço tem uma conta no Bricklink para comprar aquela peça desejada ou aquele set fugidio. Além disso continua a ter uma base de dados invejável com as peças, sets e outros produtos LEGO. É vulgar, quando estou a construir, verificar se aquela peça existe em determinada cor e se está facilmente disponível

 

Brickset

Começou com uma simples base de dados de conjuntos promocionais criada pelo britânico Huw Millington e neo-zelandês Grahame Reid. Mais tarde começou a classificar todos os conjuntos pós 1980 e mais recentemente todos os conjuntos LEGO.

Neste momento as suas valências aumentaram de variedade consideravelmente sendo talvez o maior centro de conhecimento LEGO. Além de ter uma base de dados extremamente completa de conjuntos LEGO, possui um sistema de inventário de peças por set que começa a rivalizar o do próprio Bricklink** e é talvez a maior fonte de notícias relacionadas com a LEGO e lançamento de conjuntos. Mantêm também mil e uma funcionalidades como, por exemplo, a possibilidade dos utilizadores manterem um inventário das suas peças, sets e minifigs.

 

Eurobricks

Como o nome indica, nasceu com o intuito de juntar os AFOLs europeus através de um fórum de discussão. Depois de uma fase rebelde onde era o primeiro a divulgar leaks (neste caso novidades não autorizadas pela empresa LEGO) foi crescendo ao ponto de neste momento ser, talvez, o maior fórum mundial sobre LEGO. Este crescimento não foi propriamente pacifico e os principais fundadores até já saíram do projecto. No entanto a comunidade que o rodeia é bastante activa e criou algumas valências interessantes. Possui um sistema de reviews de conjuntos muito bom, concursos regulares de temas diversos e actividades de dinamização de construção (Guilds of Historica é a mais conhecida) que produzem regularmente MOCs estonteantes.

É o local onde se discute praticamente tudo sobre LEGO!

 

Flickr

Este é o site intruso nesta lista, já que não é inteiramente dedicado ao LEGO. No início os AFOLs tinham (e ainda tem) o Brickshelf para colocarem as fotos das suas construções bem como de eventos e outras actividades LEGO. No entanto o seu interface datado e os problemas ocorridos no verão de 2007 fizeram com que muitos AFOLs “fugissem” para outras plataformas. Uma delas foi o MOC Pages, que apesar de ter alguma adesão, nunca vingou como a plataforma de todos os AFOLs como chegou a acontecer com o Brickshelf. A outra plataforma foi o Flickr da multinacional Yahoo, que actualmente possui a maior fatia de AFOLs apesar do seu conteúdo generalista. As suas características possibilitam a criação de grupos, comentários, favoritos, etc que, para já, vão sendo suficientes para as necessidades da maior parte dos AFOLs.

 

The Brothers Brick

No início Andrew Becraft tinha um pequeno blog pessoal, Dunechaser's Blocklog, onde relatava as suas actividades LEGO, muito à semelhança do que acontece com a LegOficina dos Baixinhos. Mais tarde, em 2005, juntou-se a Josh Wedin para criar um blog cujo o intuito seria destacar as melhores construções LEGO. Foi assim criado o The Brothers Brick.

Desde aí que a equipa foi crescendo e ainda é conhecido por destacar os melhores MOCs do momento. No entanto nos últimos anos tem vindo a desenvolver esforços para diversificar os seus conteúdos, por exemplo com reviews, novidades de sets, etc.

Ter uma construção destacada no The Brothers Brick é um reconhecimento de qualidade bem como uma projecção enorme dentro da Comunidade.

 

Claro que existem outros sites interessantes e que, conforme as especificidades de cada AFOL, são extremamente utilizados. Tenho alguma pena que não haja um serviço de partilha de imagens para AFOLs digno desse nome e que as pessoas tenham que recorrer ao Flickr para isso. Sinto também alguma apreensão quanto à utilização do Facebook (bem como de outras redes sociais) para substituir estes sites que descrevi bem como outros. Receio principalmente pelos novos AFOLs, que raramente exploram como deve de ser estes e outros sites ficando-se por uma rede social cuja plataforma é extremamente fraca e difícil de seguir fazendo com que a informação caia no esquecimento facilmente.

 

Há uns anos escrevi um artigo similar para o Portal 0937 que poderá ser visto aqui.

 

*LUG, LEGO Users Group, termo que na altura foi criado em tom de brincadeira em relação à sigla LUG - Linux Users Group, mostrando assim a ligação de muitos AFOLs com o mundo da informática.

** Interessante notar que o Bricklink utiliza um sistema de referências de peças baseado no LDraw e o Brickset no do próprio site da LEGO. No entanto ambos os sites tem meios de fazer a correspondência.

 

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publicado às 14:26

6º número da revista LEGO Star Wars

por baixinho, em 29.04.16

Revista LEGO Star Wars nº6 (1)

No outro dia tive a oportunidade de comprar mais um número da revista LEGO Star Wars. Gosto bastante do colorido da capa, mas o conteúdo continua do mesmo tipo das revistas anteriores, muita BD, alguns passatempos e de conteúdo nacional original apenas a página e meia de "Arte Galáctica".
O brinde é um fraquinho Snowspeeder, nada que se compare ao antigo que aparece no 4486. Mas pelo menos ficamos a saber que para o próximo mês teremos uma Millennium Falcon com 42 peças!

Revista LEGO Star Wars nº6 (2)

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publicado às 12:32

Peças raras

por baixinho, em 31.03.16

LEGO: Jumper plate with closed stud

Como noutro tipo de colecções, também no LEGO existe a curiosidade sobre peças raras e incomuns. Muitas vezes são erros de fabrico, outras são testes que de alguma fora sairam das fábricas e ainda outras de peças de utilização específica que também de alguma forma chegaram às mãos dos fãs.

Na verdade até é simples adquirir uma ou outra peça que nunca tenha saído em conjuntos (basta procurar no BrickLink) ou até mesmo versões de teste.. e com alguma sorte até dar com um erro de fabrico, por exemplo já me apareceu isto.

Mas é sempre giro ver essas peças e há um grupo no Flickr para isso, o Rare LEGO.

 

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publicado às 09:00

Amarás os revendedores de LEGO!?

por baixinho, em 11.02.16

Este artigo do All About Bricks sugere que, de forma até pertinente, os AFOLs deverão aceitar e até gostar da existência de revendedores LEGO, vulgo o pessoal que compra sets para os vender mais tarde. Basicamente o autor explica que se os revendedores não existissem, os sets descontinuados não existiriam. Portanto mais vale comprar caro do que não comprar de todo.

Pessoalmente não concordo com a ideia. Acredito que isso poderia acontecer num pequeno número de sets, mas na sua maior parte não. Basicamente, se os revendedores não comprassem os sets, ficariam nas prateleiras das lojas e acabariam por ser comprados mais tarde por alguém.. e provavelmente pela tal pessoa que iria comprar a um revendedor.

O fenómeno dos revendedores LEGO começou a aparecer quando o movimento AFOL ganha algum volume, ou seja durante a primeira década deste século. Com o contínuo aparecimento de novos AFOLs, muitos deles perderam os primeiros lançamentos de UCSs Star Wars e mais tarde os modulares. Pessoas que pagariam qualquer preço (?) para completar as suas colecções.

Portanto a ideia será comprar já e vender quando a LEGO deixar de produzir, já que como aparecem sempre novos AFOLs esse vão precisar de conjuntos que já saíram de circulação e não se encontram em lado algum.

O problema é que como todos os sets foram vendidos (para crianças, AFOLs e revendedores) e já não se encontram nas prateleiras, estes novos AFOLs só tem a hipótese de comprar aos revendedores. Isto se pensarmos que raramente um AFOL se desfaz de um conjunto e uma criança só o fará quando chegar a adulto. Claro que nestes dois últimos casos deveremos pensar que o conjuntos não estarão em estado de MISB.

Se não houvesse revendedores bastaria fazer uma procura por várias lojas até encontrar o que queria. Eventualmente até poderia-se ir ao eBay e ao Bricklink comprar algo que não estivesse nas lojas.. e não estaria com preços absurdos porque os vendedores seriam basicamente AFOLs que desfaziam de algumas coisas e não pessoal que vive daquilo.

Sim, sou desse tempo. Entrar em lojas e encontrar conjuntos com mais de 10 anos a preços aceitáveis. Cheguei a encontrar um 6285 Black Seas Barracuda por 100€ (não comprei porque não tinha €s suficiente), vários 6886 Galatic Peace Keeper a 10€ (comprei 2 ou 3 :)) e até um 6769 Fort Legoredo já em 2009. Cheguei a ter na mão preciosidades de Classic Castle e Classic Space.

Hoje em dia encontrar um conjunto com mais de 4 anos..

No entanto também há que dizer que interessa haver revendedores, por causa do acesso a peças!!!

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publicado às 15:50

E Vão Cinco

por baixinho, em 09.12.15

Hoje a Comunidade 0937 divulgou que três dos seus membros foram contratados pela LEGO como designers.

César "CesBrick" Soares, Pablo "pabloglez" Gonzalez e Tiago Catarino juntam-se a outros dois membros da C0937, o Marcos Bessa e ao Ricardo "evildead" Silva, no quartel general da LEGO em Billund, Dinamarca.

É com grande orgulho que vejo esta notícia. Fui um dos fundadores e continuo a ser bastante ativo na Comunidade, ver três dos nossos serem escolhidos para trabalhar na empresa que fabrica as peças do nosso hobby só representa que temos trabalhado bem e com qualidade.

Espero sinceramente que corra tudo bem com eles e acredito que alimentarão este nosso hobby com conjuntos de qualidade!

Notícia na Comunidade 0937.

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publicado às 09:49

Revista LEGO Star Wars

por baixinho, em 29.11.15

Na sexta-feira de manhã recebi, com alguma surpresa, o press release de uma nova revista, a LEGO Star Wars.

Revista LEGO Star Wars 1a


Pela primeira vez, duas marcas míticas unem-se numa publicação mensal dirigida a crianças dos 5 aos 12 anos.

Com uma tiragem mensal de 15.000 exemplares e 36 páginas, a revista incluirá em cada mês uma peça de LEGO Star Wars exclusiva, que apenas poderá ser conseguida com a revista.

Luke Skywalker, Yoda, Darth Vader, Han Solo… são os heróis de varias gerações. Desde 1977, a saga galática Star Wars entusiasma fãs de todas as idades no mundo inteiro com filmes e séries de televisão e, a partir do próximo dia 27 de novembro, também com LEGO® Star Wars™ - uma revista oficial que será publicada em Portugal pela editora líder em revistas infantis e juvenis – Bauer Media Group. A revista LEGO® Star Wars™ terá uma periodicidade mensal e será dirigida a um público dos 5 aos 12 anos, com conteúdos pensados não só para o desenvolvimento da imaginação e para o incentivo à leitura, mas também com múltiplas curiosidades e novidades em redor do universo Star Wars, juntamente com passatempos, comics, fichas de personagens e de naves, posters e um espaço dedicado aos fãs, tanto da saga de George Lucas como das míticas peças de LEGO.

Com uma tiragem mensal de 15.000 exemplares, a revista LEGO Star Wars, dirigida por Marisol Piñero, terá distribuição assegurada em todo o país e incluirá um brinquedo de edição limitada em cada número, que apenas poderá ser obtido com esta publicação e que, muito rapidamente passará a ser uma peça de colecionador. A revista é já distribuída a nível europeu, com mais de 700.000 exemplares traduzidos em 14 idiomas.

Na revista caberão todas as personagens e histórias surgidas em redor da saga galáctica, desde os episódios cinematográficos até à série Star Wars Rebels, tudo elaborado num tom que seja atrativo para as crianças, mas tratado com todo o rigor que rodeia a saga e que os seus seguidores tantos valorizam. Assim, poderão viver de perto as aventuras das suas estrelas galácticas em comics nunca antes publicados. O primeiro dos quais narra as aventuras de LukeLeiaR2-D2 e Darth Vader em formato humorístico. O segundo gira em torno das vicissitudes dos rebeldes Ezra e Zeb.

Revista LEGO Star Wars 1b

Apesar de não fazer parte do público-alvo, fiquei curioso o suficiente para comprar o primeiro número. E não, não é pelo polybag :)

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publicado às 11:36

Outra vez o LEGO como investimento financeiro

por baixinho, em 29.10.15

Se em agosto foi o The Telegraph a falar no assunto (abordei o tema neste post) agora, segundo este post do Brickset, o Daily Mail e o Mirror fazem o mesmo. O último até lista quais os conjuntos que costumam valer mais dinheiro.

A minha opinião continua a mesma, se até certo ponto este fenómeno no início até foi vantajoso para a comunidade AFOL, neste momento começa a ser pernicioso.

 

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publicado às 15:56

Ser AFOL

por baixinho, em 18.10.15

Used And Abused

Ontem ao pesquisar sobre o Istok no blog, tropecei neste post que fiz há mais de 6 anos. Por coincidência, também ontem numa conversa com outro AFOL, o tema era o mesmo. O que é ser AFOL.

O texto apesar de antigo, continua relativamente atual. Não fala do pessoal que olha para o hobby apenas para comprar e vender ou o pessoal que apenas "vê", seja fotos na net ou exposições. No entanto creio que intitular de AFOL este dois grupos de pessoas seria um pouco forçado.

Aborda mais a faceta do coleccionismo e, principalmente, a faceta da construção. Segue-se o texto na integra (apesar do link acima):

Quando um velho conhecido descobre que um dos meus hobbys é LEGO, a habitual pergunta é “ainda brincas com legos?!”. Além do ponto de interrogação leva também com o de exclamação para melhor transmitir a ideia de admiração que normalmente a pergunta contém.

Ignorando o erro na expressão “legos”, não, não brinco com LEGO. A menos que se considere que um jogador amador de futebol esteja a brincar com a bola num qualquer jogo da terceira divisão regional (nem sei se isso existe).

Segundo o dicionário Priberam, brincar possui estes significados:
1. Divertir-se.
2. Entreter-se com alguma coisa infantil.
3. Galhofar; gracejar.

4. Agitar maquinalmente.
5. Proceder levianamente.
6. Fig. Agitar-se (diz-se das ondas).

Destes significados interessam para o caso os dois primeiros.

Divertir-me.
Sim, divirto-me quando construo um set ou um MOC(1), quando planeio uma nova construção original, quando vejo outros MOCs, quando participo em reuniões e encontros com outros AFOLs, quando escrevo e discuto sobre LEGO, quando estou a trabalhar em prol da Comunidade AFOL, etc. Mas alguma destas actividades transmite a ideia de brincar? Parece-me que não.

E “entreter-se com alguma coisa infantil”?

Sem dúvida que as peças LEGO são no seu âmago, um brinquedo. Bem, alguns conjuntos que a LEGO lançou nos últimos anos já não são bem brinquedos, tanto pelo seu elevado preço como pelo grau de complexidade construtiva. Mas pessoalmente já deixei de olhar para as peças LEGO como um simples brinquedo que teimo em não deixar mas mais como partes integrantes de um hobby. Mais ou menos como um jogador de futebol não olha para uma bola como um brinquedo.

Continuando a utilizar o mesmo exemplo. A bola pode ser um simples brinquedo mas a sua utilização e tudo o que envolve a sua utilização pode chegar a elevados graus de complexidade. Basta pensar no mundo do futebol e o no dinheiro que está envolvido para ter uma ideia do quão sério pode ser um… brinquedo.

Se um objecto simplesmente redondo pode provocar isso tudo, porque não as peças LEGO?
Exacto, as peças LEGO por si só já possuem um certo grau de complexidade, se adicionarmos tudo o que se passa à volta delas.. então ficaremos com um hobby rico de actividades intrincadas de tal maneira que já deixam de ser propriamente uma brincadeira.

O hobby LEGO é tão complexo,  rico e dinâmico que pode tomar várias formas. Normalmente dividem a Comunidade de AFOLs em duas porções. Aqueles que coleccionam sets e aqueles que constroem MOCs. Claro que esta divisão não é completamente correcta e exclusiva visto que a maior parte dos AFOLs até fazem as duas coisas, mas para efeito de facilitar a explicação do hobby vou deixar assim.

Existem os AFOLs que coleccionam sets. Não incluo aqui a actividade redutora de comprar e acumular sets, isso qualquer pessoa pode fazer. Da mesma forma que coleccionar selos é diferente de acumular selos, coleccionar sets não se resume à compra e acumulação dos mesmos. Há todo um processo de classificação, estudo, pesquisa e busca que tornam a actividade extraordinariamente interessante. Lembro-me sempre do espanhol Rick83 e da sua pasta no BrickShelf e é também de recordar a exaustiva classificação dos primeiros sets LEGO por Gary Istok, como bons exemplos do que pode ser um coleccionador de sets LEGO. Só não me dedico mais a esta faceta do hobby porque teria que despender ainda mais dinheiro na concretização do hobby.

Mas esta faceta do hobby LEGO é exactamente aquela que se encontra no coleccionismo de outros brinquedos e outros objectos. Restringir o hobby LEGO ao coleccionismo é extremamente limitador do que o hobby pode realmente ser. O brinquedo LEGO já se distingue da maioria dos outros brinquedos pela sua capacidade de se transformar num “brinquedo novo todos os dias”(2), então o hobby também deverá  explorar essa capacidade de transformação.

Podemos então começar a falar na construção de MOCs. A concepção de um MOC em LEGO é essencialmente a razão  principal para me ter tornado AFOL. Ter uma ideia, passá-la para peças LEGO, jogar com as limitações e possibilidades das milhares de peças LEGO para conseguir compor o que pretendo sem no entanto recorrer a “batotas”, é uma das actividades de onde retiro mais prazer. É mesmo nessa actividade que o hobby mostra toda a sua riqueza, basta para isso navegar no BrickShelf e no The Brothers Brick (ou noutros sites sobre o assunto), para qualquer pessoa ficar maravilhada com o resultado daquilo que os AFOLs podem fazer com peças LEGO. São essas mesmas maravilhas que tornam o hobby LEGO único e especial.

Como em todas as actividades humanas, quando uma actividade começa a crescer, vão também prosperar outras acções paralelas que só tornam essa mesma actividade mais rica e dinâmica. Temos livros sobre técnicas de construção, temos reviews de sets, temos eventos e convenções, temos revistas, temos concursos, temos jogos, temos uma infinidade de possibilidades que tornam o hobby LEGO num dos mais dinâmicos que conheço. Para provar isso, basta fazer uma pesquisa de imagens no Google sobre um qualquer assunto (de preferência em inglês). No meio do resultados da pesquisa é normal aparecer uma qualquer construção LEGO.

Mas voltando ao significado de ser um AFOL, como é que uma pessoa sabe quando é um AFOL? Acho que quando o sentir. A própria constituição da sigla indica isso. Um Adult Fan Of LEGO é um fã, e um fã é no fundo, um admirador. E o acto de admirar é pessoal, portanto só o próprio é que o pode definir e avaliar.

Mas um admirador de quê, da empresa LEGO ou do brinquedo que ela fabrica? A ambiguidade desta sigla já levou a alguns adoptarem a designação de ALE (Adult LEGO Entusiastic). Como digo acima, coleccionar LEGO é uma faceta do hobby, mas o que torna este hobby único é mesmo a possibilidade de construir.. e isso é relativamente independente da empresa.

Quando me tornei AFOL era estudante, por isso o orçamento para o hobby era bem limitado. Todos os conjuntos que comprava (incluindo algumas raridades dos anos 80) eram invariavelmente abertos, montados e posteriormente divididos para peças. Todas as compras eram estudadas tendo em conta a maximização da utilidade das peças adquiridas. Agora tenho a sorte de ter um emprego, o que facilita a aquisição de peças e sets e que minimiza também o cuidado na escolha, podendo mesmo pensar em investir a longo prazo. Mas ter mais peças acumuladas em casa, faz de mim mais AFOL? Seria no mínimo estúpido calcular o meu amor ao hobby por uma característica externa ao mesmo, o dinheiro disponível para o hobby.

Por vezes sinto mesmo nostalgia de quando tinha poucas peças e tinha que construir um determinado MOC, com grandes limitações. O jogo de utilizar uma pequena variedade de peças era mesmo bastante desafiador. Como compreendo quando um novo AFOL chega ao hobby e sente-se extremamente limitado por falta de peças. Principalmente agora em que é inundado de bons MOCs por todos os lados, coisa que já não era tão vulgar quando comecei.

Claro que agora a facilidade de arranjar a maior parte das peças não torna a construção mais fácil.. mas sim diferente, com desafios diversos. Temos que conhecer mais peças e as formas em que elas interagem. Estamos atentos ao que se faz e das últimas correntes. Isso também torna o hobby interessante e enriquecedor.

A partilha de imagens de MOCs é outro dos pontos fortes deste hobby. Aliás, duvido que este hobby tivesse a projecção que tem se não fossem os AFOLs mostrarem o que constroem. Esta é provavelmente a maior publicidade que a própria LEGO pode ter.

Por isso ser AFOL também passa por mostrar o que se faz.

Por vezes pergunto-me porque gasto imenso tempo com actividades de divulgação deste hobby. Acho que é mesmo para dar a entender que ele não se limita a amontoar conjuntos/peças lá em casa. O interesse deste hobby vai muito além disso, basta saber procurar na Internet para nos maravilharmos!

(1)por favor, se não estão familiarizados com algumas palavras e siglas, consultem a Wiki0937 (link).
(2)Havia um spot publicitário da LEGO que continha mais ou menos esta expressão.

 

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publicado às 12:00

A LEGO não se importa com a tua coleção

por baixinho, em 16.09.15

Neste excelente artigo no FBTB, Nick Martin explica porque pensa que a LEGO não se preocupa com a coleção de conjuntos dos AFOLs. Isto tudo por causa da confusão gerada pela reedição do conjunto 10199 Winter Village Toy Shop de 2009 pelo 10249 Toy Shop (que é praticamente igual). Os coleccionistas reclamam porque para terem a coleção completa (Winter Village) terão que ter dois conjuntos praticamente iguais. Os não tão coleccionistas desta série reclamam porque vão ter um ano em branco nesta coleção. Por fim, os especuladores reclamam porque compraram o set em 2009 às espera de valorização e esta reedição baixa os valores de venda.

Nick Martin ao pegar neste tema, aborda também o impacto dos AFOLs no negócio da LEGO, o (não) impacto do mercado paralelo nas vendas da empresa e, por fim, que as reedições tem toda a lógica para a empresa LEGO.

Concordo com praticamente tudo o que é dito no artigo e já várias vezes tinha pensado em escrever algo do género (provavelmente não tão extenso nem assertivo).

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publicado às 13:15

LEGO como investimento financeiro

por baixinho, em 27.08.15

 No outro dia o Brickset referiu este artigo do The Telegraph onde é abordada a moda de investir dinheiro em LEGO com intuito de retorno financeiro. Já há vários anos que o pessoal com algum conhecimento do fenómeno LEGO (AFOL ou não) conhece as potencialidades do investimento em (alguns) conjuntos da marca. Comprar o conjunto x para o vender por três vezes, ou mais, do preço original uns anos depois até se tornou o modo de vida de algumas pessoas. Não tardou muito para este processo chamar a atenção do mundo e espalhar-se para fora do meio.

Se à primeira vista este fenómeno até pode parecer positivo para o hobby, por vezes pergunto-me se isso é mesmo verdade. E pelo que tenho lido não sou o único a ter as mesmas dúvidas.

É inegável que o lucro deste processo traz ao hobby uma credibilidade séria. O LEGO deixou de ser uma brincadeira de crianças quando começou a gerar dinheiro. Isso até foi ótimo para alguns AFOLs poderem financiar o próprio hobby utilizando o seu conhecimento para saber investir melhor.

No entanto também é inegável que esta atenção toda fez disparar os preços de tal forma que forma que torna inalcançável o acesso a alguns conjuntos descontinuados a AFOLs com menos recursos.

Como o mercado funciona num equilíbrio entre a oferta e a procura, ao introduzir-se pessoas (investidores) que apenas procuram comprar (neste momento) e que por cima por norma até são abonados financeiramente, é natural que haja uma escalada de preços.

E, pessoalmente, creio que quando há essa escalada de preços, os conjuntos envolvidos praticamente saem da esfera da comunidade AFOL. A maior parte do pessoal que compra sets a preços ridiculamente altos já não o faz por coleccionismo ou para simplesmente construir, mas sim no intuito de o vender mais tarde e mais caro. E quem fala de conjuntos, também pode falar de minifigs.

Esta escalada afeta também o valor das peças. Como algumas são essenciais para construir esses conjuntos, tornam-se alvo da cobiça de mais gente para pelos menos poderem construir o conjunto juntando as peças necessárias.

Como sei que pouco posso fazer em relação a este fenómeno, já interiozei que haverão sempre conjuntos descontinuados que são inalcançáveis. O que vale é que, pelo menos para já, este fenómeno não abarca todos os conjuntos que a LEGO vai fazendo e praticamente não atinge os conjuntos mais antigos.


Por fim pergunto-me, será que isto um dia vai estourar?

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publicado às 11:44


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